quarta, 08 fevereiro 2017 23:52

História do Aminata

O embrião do Aminata não aparece em 1982 mas muito antes...No verão de 1964, estavam as Piscinas Municipais quase prontas para a inauguração, o Lusitano Ginásio Clube (LGC) abriu inscrições para jovens que soubessem nadar, a fim de participarem no Festival de Inauguração daquele que ia ser o maior complexo de piscinas do País.

O grupo seleccionado preparava-se diariamente no tanque, adaptado a piscina, existente na quinta do Senhor Alberto Faustino, que se situa na estrada para Redondo, logo após a ponte sobre o Rio Degebe.

Transportados por um autocarro dos Serviços Municipalizados, era ali que aquele grupo de jovens, dirigidos por um funcionário bancário, aperfeiçoava as suas técnicas de nadar para que no dia da inauguração, 4/9/64, cada um tentasse a melhor classificação na prova em que iria participar.

E a equipa de natação do Lusitano Ginásio Clube lá participou, com muito brilho, no Festival de Inauguração da Parque de Piscinas, então designado "Eng.º Arantes de Oliveira".

No ano seguinte mas já com o Juventude Sport Clube (JSC) envolvido no processo, o grupo inicial de nadadores dividiu-se pelos dois Clubes mas curiosamente com a orientação do mesmo Técnico, Prof. Francisco Albuquerque, responsável pelo Parque de Piscinas e suas escolas de natação, pessoa com enorme credibilidade no meio desportivo, não só pela sua competência técnica no âmbito da ginástica que se fazia no LGC mas também pelas suas qualidades humanas.

Vão naturalmente, fruto do trabalho desenvolvido nas escolas de natação por Francisco Albuquerque e sua esposa Prof. Zaida, surgindo muitos mais nadadores. Todo este desenvolvimento não era, de forma alguma, acompanhado pelo apoio necessário por parte dos Clubes e Francisco Albuquerque via-se normalmente só ou com a disponibilidade pontual de alguns dirigentes. Foi então transmitindo a ideia da necessidade de criação de um Clube específico para a modalidade.

O Associativismo não era propriamente urna actividade apreciada e muito menos apoiada pelo regime vigente de então, o que não tornava fácil encontrar pessoas disponíveis para tão importante projecto e a criação do Clube foi adiada.

Um conflito ridículo, caricato mesmo, provocado por um vereador Municipal, levou a que Francisco Albuquerque, um homem bom, competente e digno, por respeito à sua dignidade abandonasse a Évora linda mas tantas vezes madrasta para quem por ela luta.

Entre a saída de Évora de Francisco Albuquerque e a fundação do Aminata, a natação não morreu completamente, mas não foi a mesma coisa...andou moribunda.

Em 1975 a natação Eborense reanima-se. A grande dinamização desportiva ocorrida no País após o 25 de Abril, juntou antigos a novos praticantes que dispunham de um espaço na piscina Municipal onde se juntavam para "treinar".

Em determinado momento sentiram necessidade de orientação na sua actividade já que até pretendiam que ela tivesse um carácter muito regular e desportivo e surge então um convite a um técnico para dirigir o treino: o técnico convidado foi Manuel Pinto.

Esse grupo de que faziam parte Luís Moisés, Joice do Carmo...foi crescendo em termos numéricos e qualitativos e como em qualquer actividade desportiva a necessidade de competição fez-se sentir. E reaparece o Juventude Sport Clube.

O nosso antigo nadador António Salvado era na altura dirigente do JSC e foi-lhe proposta a criação de uma secção de Natação e portanto o reinício da modalidade no Clube.

O então Presidente do JSC, Amadeu Martinho, um dos homens que esteve no início com Francisco Albuquerque, aceitou a ideia e a história quase se repetiu.

Filiaram-se atletas, iniciou-se a participação em competições, cresceu-se muito e a partir de determinado volume de actividade foi difícil ao Clube dar a resposta necessária, apesar dos esforços do incansável seccionista José Alvoco.

Felizmente os tempos eram outros e foi possível ir trazendo para a modalidade os Pais de vários atletas e fazê-los sentir a importância do tal Clube de que anos atrás falava Francisco Albuquerque.

Mais tarde, em 1982, Francisco Albuquerque viria a ser convidado para integrar os fundadores do Aminata, o que aceitou, tendo-lhe sido atribuído como número de sócio o Nº 1.

O nome AMI (amigos) NATA (natação) e o pelicano são demonstrativos do sentido protector, maternal que está inegavelmente ligado ao movimento de pessoas que criam o clube.

 

A inauguração da piscina do Aminata em 26 de Maio de 1999 foi como que um segundo acto na vida do Clube.

Houve que adaptar toda a actividade a uma realidade completamente nova que, durante muito tempo, se ambicionou. Passar de 200 para 2000 utentes levou à necessidade de criar regulamentos, planos pedagógicos, horários, enfim os instrumentos necessários ao funcionamento de uma instalação desta natureza.

A inexperiência de então levou à adopçào e adaptação de modelos já conhecidos e testados, nomeadamente do Sporting Clube de Portugal, do Gesloures e do Clube Naval Setubalense, clubes conhecidos e de inegável reputação e inquestionável qualidade.

Estruturou-se então um modelo de ensino onde foram definidos níveis de aprendizagem e respectivos conteúdos, assim como os requisitos mínimos de transição de nível, desde o inicio da aprendizagem até à via desportiva.

Na área desportiva a mudança era igualmente enorme.

Os atletas de então tiveram felizmente a possibilidade de sentirem a diferença entre o que era treinar num tanque de l 6m e uma piscina de 25 m.

Não obstante, ao contrário do que se poderia pensar, certos problemas ficaram por resolver, alguns dos quais ainda perduram, nomeadamente o espaço disponível para os treinos dos atletas de competição. Tratando-se de uma actividade desportiva, não pode ocupar o lugar de outras actividades que garantem a sustentabilidade financeira do Clube, espaço esse que por vezes não é suficiente para o treino que se gostaria e deveria realizar. 

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